Uma tradução errada quase nunca aparece como "erro de tradução". Ela aparece como documento recusado no cartório, cláusula de contrato mal entendida, ou um cliente do Oriente Médio que lê a proposta e não responde mais. O custo não é o preço do serviço: é tudo o que se perde depois dele.
Trabalho todos os dias nessa fronteira entre o árabe e o português: como tradutor, como professor de árabe sírio-libanês e, desde 2023, como representante oficial no Brasil do CIMA (o Certificado Internacional de Proficiência em Árabe do Institut du Monde Arabe), em Paris. Em fevereiro deste ano, a própria instituição confirmou publicamente que a YallaConecta é o primeiro centro credenciado do CIMA no Brasil.
Cito isso não para me gabar, mas porque é o tipo de fato que só existe quando alguém trata tradução e ensino de árabe como ofício sério, não como tarefa que "qualquer bilíngue resolve".
O que separa uma tradução correta de uma tradução qualquer
Três coisas, na prática:
Direção. Árabe não é uma língua só. O árabe padrão dos documentos oficiais (fus'ha) não é o árabe sírio-libanês falado nos negócios e na mesa. Traduzir um pelo outro, ou tratar os dois como intercambiáveis, é onde a maioria dos erros começa.
Terminologia. Um contrato, uma procuração, um histórico escolar: cada um tem vocabulário técnico próprio, no direito e na tradução. Traduzir "ao pé da letra" sem esse vocabulário é o jeito mais rápido de um documento ser recusado por um cartório, uma junta comercial ou um consulado.
Contexto cultural. Frases de cortesia, forma de tratamento, o que se pode e o que não se pode dizer diretamente. Isso muda o resultado de uma negociação tanto quanto o conteúdo em si.
Uma tradução correta não é a que soa bonita. É a que funciona no cartório, no contrato e na mesa de negociação, nas três ao mesmo tempo.
Ensinar e traduzir são a mesma prática
Ano passado, apresentei no Instituto Federal do Paraná (IFPR) a palestra "A Jornada Yalla: Da Síria ao Brasil, Conectando Sabores e Culturas", ao lado do professor Andrew Gil, sobre como a mesma ponte cultural que sustenta um restaurante de família também sustenta uma tradução e uma aula de árabe. É o mesmo trabalho: entender os dois lados bem o suficiente para que nada se perca na travessia.
É por isso que, na YallaConecta, todo orçamento de tradução sai por escrito, com prazo e escopo definidos antes de começar: o que chamo de recibo, um mini-contrato simples. Não é burocracia: é o que evita que "tradução correta" vire promessa vaga.
Na prática, para quem contrata
Se você precisa de uma tradução (juramentada, certificada ou técnica) do árabe para o português ou do português para o árabe, três perguntas valem mais do que o preço:
Quem vai traduzir sabe a diferença entre árabe padrão e dialeto? O prazo e o escopo estão por escrito? E, se o destino exigir apostilamento ou reconhecimento em cartório, isso já foi conversado antes de começar?
Se a resposta for sim às três, o resto tende a dar certo.