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Tradução · 02 set 2026

Por que uma tradução errada custa mais caro que uma boa

Uma tradução errada quase nunca aparece como "erro de tradução". Ela aparece como documento recusado no cartório, cláusula de contrato mal entendida, ou um cliente do Oriente Médio que lê a proposta e não responde mais. O custo não é o preço do serviço: é tudo o que se perde depois dele.

Trabalho todos os dias nessa fronteira entre o árabe e o português: como tradutor, como professor de árabe sírio-libanês e, desde 2023, como representante oficial no Brasil do CIMA (o Certificado Internacional de Proficiência em Árabe do Institut du Monde Arabe), em Paris. Em fevereiro deste ano, a própria instituição confirmou publicamente que a YallaConecta é o primeiro centro credenciado do CIMA no Brasil.

Cito isso não para me gabar, mas porque é o tipo de fato que só existe quando alguém trata tradução e ensino de árabe como ofício sério, não como tarefa que "qualquer bilíngue resolve".

O que separa uma tradução correta de uma tradução qualquer

Três coisas, na prática:

Direção. Árabe não é uma língua só. O árabe padrão dos documentos oficiais (fus'ha) não é o árabe sírio-libanês falado nos negócios e na mesa. Traduzir um pelo outro, ou tratar os dois como intercambiáveis, é onde a maioria dos erros começa.

Terminologia. Um contrato, uma procuração, um histórico escolar: cada um tem vocabulário técnico próprio, no direito e na tradução. Traduzir "ao pé da letra" sem esse vocabulário é o jeito mais rápido de um documento ser recusado por um cartório, uma junta comercial ou um consulado.

Contexto cultural. Frases de cortesia, forma de tratamento, o que se pode e o que não se pode dizer diretamente. Isso muda o resultado de uma negociação tanto quanto o conteúdo em si.

Uma tradução correta não é a que soa bonita. É a que funciona no cartório, no contrato e na mesa de negociação, nas três ao mesmo tempo.

Ensinar e traduzir são a mesma prática

Ano passado, apresentei no Instituto Federal do Paraná (IFPR) a palestra "A Jornada Yalla: Da Síria ao Brasil, Conectando Sabores e Culturas", ao lado do professor Andrew Gil, sobre como a mesma ponte cultural que sustenta um restaurante de família também sustenta uma tradução e uma aula de árabe. É o mesmo trabalho: entender os dois lados bem o suficiente para que nada se perca na travessia.

É por isso que, na YallaConecta, todo orçamento de tradução sai por escrito, com prazo e escopo definidos antes de começar: o que chamo de recibo, um mini-contrato simples. Não é burocracia: é o que evita que "tradução correta" vire promessa vaga.

Na prática, para quem contrata

Se você precisa de uma tradução (juramentada, certificada ou técnica) do árabe para o português ou do português para o árabe, três perguntas valem mais do que o preço:

Quem vai traduzir sabe a diferença entre árabe padrão e dialeto? O prazo e o escopo estão por escrito? E, se o destino exigir apostilamento ou reconhecimento em cartório, isso já foi conversado antes de começar?

Se a resposta for sim às três, o resto tende a dar certo.

Por Mohamad Ayham Kanjo, tradutor árabe–português, professor e representante oficial do CIMA (Institut du Monde Arabe) no Brasil. Fale sobre sua tradução →